A exposição de Miguel Gontijo é inspirada na história bíblica da Torre de Babel, e as obras me pareceram utilizar do princípio de confusão e mistura da linguagens. As pinturas, que se assemelham a colagens, são um verdadeiro convite à interpretação: tenta-se entender a mensagem que as imagens inusitadas e textos fragmentados querem passar. O autor, entretanto, deixa evidente que as mensagens- assim como as pessoas- não são traduzíveis, mas apenas parcialmente interpretadas. Nesse viés, a exposição me parece bastante interessante. O que me incomodou foi o excesso de informação nas obras. São muitos textos, imagens desconexas, objetos, instalações, cores... Assim como elementos úteis ao espanto e polêmica: tais como membros decepados, cenas de canibalismo e, em uma das telas, trechos de histórias pornográficas em quadrinhos com ilustrações explícitas. Esse incômodo, entretanto, parece ser intencional por parte do artista pois, ainda com relação à linguagem, ele evidencia que em um cenário onde não é possível expressar ou compreender algo de forma plena, o excesso de informação é reflexo e agravante desse problema. A presença de logomarcas e sacos de lixo me faz pensar que há ali também uma crítica aos métodos midiáticos e influência capitalista no caos moderno, assim como as obras voltadas à religião- Bíblia, santa ceia, textos se referindo à religião nos sacos de lixo- dão a entender que há também uma forte e sarcástica crítica ao cristianismo. Por fim, vale ressaltar que uma das partes que mais achei positiva foi a abertura ao público para manusear alguns livros. O isolamento que as galerias costumam exigir das pessoas quanto às obras, apesar de compreensível, tende a me incomodar.





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