quinta-feira, 6 de julho de 2017

Evento Cultural X: Pintura – ou a Fotografia como violência- Éder Oliveira

Inicialmente, o que chamou atenção nessa exposição foram os aspectos físicos dos quadros: o artista domina técnicas de realismo e alguns trabalhos chamam atenção pela ampla escala. Aparentemente a temática é voltada à população cearense, com um forte contexto racial e de criminalidade. Entendi que o autor quis retratar a influência histórica, social e cultural que leva as pessoas negras, pardas e indígenas, maior parcela da população, serem maioria também nas prisões e –principalmente- nas manchetes criminais de jornais. Acho o tema muito bom e os quadros me agradam bastante, mas creio que a crítica ficou um pouco superficial. Para mim, o que o tema é mais intenso do que o que foi explorado pelo artista. Também senti falta de uma abertura maior à interpretação. As obras, apesar de expressivas, entram na lógica da representação, como uma forma de representar esses indivíduos tratados com desdém pela mídia e sociedade com um olhar artístico. 





Evento Cultural IX: MãePreta- Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa

Belíssima exposição, com um tema que, infelizmente, beira ao trágico. As artistas retratam a mulher negra, com foco na maternidade, como símbolo de luta ao longo da história. Intervenções em fotografias antigas destacando as mães negras, um mural com pequenas biografias de heroínas negras nascidas em diferentes épocas, jornais da época da escravidão anunciando mulheres (amas de leite) como mercadorias... é difícil sair da exposição sem um nó na garganta. Um aspecto que achei muito positivo foi que o documentário exibido (com depoimentos de mães da atualidade relatando a persistência do preconceito e violência pela cor da pele) está em uma TV na parte mais interna da sala, que não é visível por um tempo. Isso cria, já no início da contemplação, uma experiência sonora que amplifica a carga emocional que o conteúdo das obras transmite. 







Evento Cultural VIII: PanAméricadsueño- Ricardo Burgarelli

Particularmente, eu não achei a exposição convidativa. Ela é composta basicamente por textos que parecem formar uma narrativa e por desenhos. Os desenhos me parecem vagar entre o abstrato e o simples esboço, mas com um tipo de simplicidade que não me atraiu. Já os textos, pecaram pelo volume: a quantidade de páginas e parágrafos requer uma atenção e tempo que o conjunto das obras não estimula. Um detalhe que achei interessante e que ativou minha curiosidade por um período foram os riscos em vermelho todas as vezes que a palavra “eu” aparecia em qualquer texto. Entretanto, não consegui entender, dar uma interpretação pessoal ou mesmo relacionar esse elemento com o restante das obras. Acredito que essa exposição tenha referência literária específica, e isso pode ter contribuído para o meu baixo envolvimento, uma vez que não conheço o contexto das criações.


Evento Cultural VII: Babel- Miguel Gontijo

A exposição de Miguel Gontijo é inspirada na história bíblica da Torre de Babel, e as obras me pareceram utilizar do princípio de confusão e mistura da linguagens. As pinturas, que se assemelham a colagens, são um verdadeiro convite à interpretação: tenta-se entender a mensagem que as imagens inusitadas e textos fragmentados querem passar. O autor, entretanto, deixa evidente que as mensagens- assim como as pessoas- não são traduzíveis, mas apenas parcialmente interpretadas. Nesse viés, a exposição me parece bastante interessante. O que me incomodou foi o excesso de informação nas obras. São muitos textos, imagens desconexas, objetos, instalações, cores... Assim como elementos úteis ao espanto e polêmica: tais como membros decepados, cenas de canibalismo e, em uma das telas, trechos de histórias pornográficas em quadrinhos com ilustrações explícitas. Esse incômodo, entretanto, parece ser intencional por parte do artista pois, ainda com relação à linguagem, ele evidencia que em um cenário onde não é possível expressar ou compreender algo de forma plena, o excesso de informação é reflexo e agravante desse problema. A presença de logomarcas e sacos de lixo me faz pensar que há ali também uma crítica aos métodos midiáticos e influência capitalista no caos moderno, assim como as obras voltadas à religião- Bíblia, santa ceia, textos se referindo à religião nos sacos de lixo- dão a entender que há também uma forte e sarcástica crítica ao cristianismo. Por fim, vale ressaltar que uma das partes que mais achei positiva foi a abertura ao público para manusear alguns livros. O isolamento que as galerias costumam exigir das pessoas quanto às obras, apesar de compreensível, tende a me incomodar.







Evento Cultural VI: Estórias Gravadas- Paulo Roberto Lisboa

As obras de Paulo Roberto Lisboa expostas em uma pequena galeria do Palácio das Artes são de uma sutileza formidável. Todas são em tamanho médio-pequeno, com traços leves que mostram cenas do cotidiano na visão do artista, de forma poética. A sensação que passou a mim foi de tranquilidade, uma simplicidade gostosa. Não é uma exposição que surpreende, da mesma forma que não se trata de uma experiência marcada por excessos, como é comum no meio artístico. 





Local da intervenção- Beco Zé de Lota


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Evento Cultural V- Museu da Moda

Por ser próximo de onde moro, o edifício do Museu da Moda sempre chamou minha atenção ao sair de casa. A construção é contrastante no cenário, dando a sensação de ser um pequeno castelo em meio aos prédios. O interior também é interessante, com uma escadaria cuja disposição foge do comum. A exposição que visitei se chama "Stilo Limpeza Urbana: Gari Fashion- 'Uma alternativa criativa para se evitar o desperdício'". A ideia que tive -sem analisar muito os textos- foi que os artistas tinham a intenção de representar a dar visibilidade aos garis. Se foi essa de fato a intenção, penso que falharam. O conjunto das obras mostra que essa representação foi feita de fora, com um olhar estereotipado e caricatural. Quando o tema "Gari Fashion" é interpretado como roupas de lixo, existe muito a ser discutido. Após olhar com mais cuidado os textos, vi que a iniciativa é mais focada na questão do desperdício e consumismo do que nos garis, que acabam entrando como personagens secundários. De toda forma, não acredito que a conexão dos elementos tenham ficado coesas, e para tentar entender a proposta foi necessária muita consulta, o que mostra que as obras não falam por si.