sexta-feira, 24 de março de 2017

Crítica ao croqui feito por Wallace Stanzig.

Dos desenhos apresentados em sala, este foi um dos que mais me agradaram. Inicialmente, o traço "tremido" (ao mesmo tempo que preciso) foi o que mais chamou atenção, pois deu estilo ao trabalho. O croqui passa uma imagem limpa e objetiva, representando muito bem o essencial da construção. Além disso, o enquadramento ficou bastante interessante e, como os professores falaram em sala, o uso apenas da parte superior da folha deu noção de distância, reforçando a boa perspectiva e profundidade dada ao desenho. Gostei também do ponto de observação escolhido, pois proporcionou uma visão ampla do prédio. Ademais, a ausência da vegetação, neste caso, me parece positiva; já que, considerando o local onde o observador se encontrava, incluir as árvores ocultaria boa parte da escola. A quantidade de detalhes expostos, portanto, é bastante satisfatória, faltando apenas, ao meu ver, o símbolo da instituição. Vale ressaltar, correndo o risco de ser repetitiva, que o traço é encantador. Wallace possui uma excelente técnica e a obra parece, de fato, um croqui de arquiteto.

Croquis da Escola de Arquitetura- Estudo de perspectiva- Desenho de observação.


Visão externa- um ponto de fuga. 
Visão externa lateral- dois pontos de fuga.
Biblioteca- Visão interna lateral (dois pontos de fuga).
Biblioteca- Visão interna (um ponto de fuga).



segunda-feira, 20 de março de 2017

sábado, 18 de março de 2017

Roupa e Arquitetura (post atualizado com complementação)

Qual a diferença entre a roupa e a arquitetura? Antes de qualquer coisa, é necessário dar um passo atrás... Qual é mesmo a semelhança?
Naturalmente, tanto a roupa quanto a arquitetura servem para abrigar. É certo que ambas seguem uma tendência e que variam de acordo com o clima e cultura de cada região. As duas nos protegem contra estímulos externos específicos e contra a exposição exagerada. Elas também são fatores contribuintes para status e exclusão social. Isso porque a "qualidade" da roupa e da moradia tende a variar de acordo com o poder aquisitivo do dono, tornando-se espelho de luxo ou miséria. Além disso, a exclusão social acontece em casos mais extremos: sem-tetos e sem-roupas não são bem quistos nas cidades, geralmente. 
Agora, vamos às diferenças... Tarefa nada fácil. Seriam os materiais usados na confecção/construção? Não, creio que existam casas de tecido e roupas de cimento (é provável que a Lady Gaga tenha alguma). Seria, então, a durabilidade de cada uma? Apesar de que em minha família as roupas passam por gerações, a arquitetura costuma, sim, durar mais. Consequentemente, a moda arquitetônica varia com menor frequência, e cada tendência costuma deixar sua marca por um longo período. Outro fator é que as vestimentas tendem a ser em modelos individuais, enquanto as construções nascem para atender uma coletividade. Por fim, nossas roupas possuem maior mobilidade que nossas casas. Arquitetura e roupa, como visto, são estranhamente semelhantes, podendo, em muitos fatores, serem vistas como sinônimas.

Complementação após a aula de 10/04/2017
Durante a discussão no Museu da Pampulha, os pontos mais enfatizados já foram aqui tratados: individualidade versus coletividade; moda; durabilidade das tendências; etc. Entretanto, é válido acrescentar a questão da identidade que são expressas nas roupas e- por que não?- na arquitetura. Alguns colegas argumentaram que as roupas representam mais a personalidade e gostos do dono que a arquitetura. Isso acontece, de acordo com eles, porque a arquitetura, sendo realizada por um processo mais caro, limita a personalização e acaba se tornando algo mais funcional. Em contrapartida, outros apontaram que a questão econômica também interfere nas roupas: quem tem pouco dinheiro tende a usar as roupas mais por sua função de vestir/proteger do que para mostrar qual estilo musical prefere. Concluo que esta é, então, outra semelhança entre as duas, e a diferença está apenas numa questão de intensidade e escala. E por falar em escala, está aí a diferença mais óbvia e que deixei passar. As roupas são feitas na escala do corpo, enquanto a arquitetura, sendo quase sempre para atender a uma coletividade, tende a ser bem maior. 

"Animação cultural" de Vilém Flusser.

Dono de uma criatividade inspiradora, Flusser traz em "Animação Cultural" uma visão crítica sobre o mundo contemporâneo em sua relação com os objetos. A prosopopeia é narrada pela Sra. Mesa Redonda, que por falta de humanidade descreve a vida humana sem economizar no sarcasmo. Se você começar a ler e muito pouco entender, não se preocupe; o autor dispensou aderir o comum. O texto, de início, já impacta ao descrever de forma peculiar o sagrado Gênesis. Dona Mesinha compreendeu que Deus não criou o homem, criou tijolo animado; e usou essa análise para fundamentar sua brilhante explicação para a soberba humana. Aliás, a perspicácia do móvel também surpreende... Das mesas da sua idade você é a mais inteligente que já conheci. Ademais, o texto muito nos faz refletir. Pensar no atual quadro de dependência das pessoas a coisas que sequer existiam poucos anos atrás é assustador. O medo geral deixou de ser os monstros marinhos que assombravam os mares do século XVI para se tornar o apocalipse conhecido como “cadê meu celular?”.  Em contrapartida, os objetos, ricos em tecnologia, tornam-se cada vez mais autônomos. Uma revolução desses seres evoluídos sobre nós, seres acomodados, parece algo plausível, o que é bizarro. Por fim, vale ressaltar que a abordagem sobre cultura e a intenção dos rebeldes de a extinguirem foi triste. Até então estavam conquistando minha simpatia.


PS: Créditos aos meus camaradas-colegas por grande parte das ideias aqui expostas. Não lembro o nome de vocês, então agradeço a todos os Lucas e Letícias.