Dono de uma criatividade inspiradora, Flusser traz em
"Animação Cultural" uma visão crítica sobre o mundo contemporâneo em
sua relação com os objetos. A prosopopeia é narrada pela Sra. Mesa Redonda, que
por falta de humanidade descreve a vida humana sem economizar no sarcasmo. Se
você começar a ler e muito pouco entender, não se preocupe; o autor dispensou
aderir o comum. O texto, de início, já impacta ao descrever de forma peculiar o
sagrado Gênesis. Dona Mesinha compreendeu que Deus não criou o homem, criou
tijolo animado; e usou essa análise para fundamentar sua brilhante explicação para
a soberba humana. Aliás, a perspicácia do móvel também surpreende... Das mesas
da sua idade você é a mais inteligente que já conheci. Ademais, o texto muito
nos faz refletir. Pensar no atual quadro de dependência das pessoas a coisas
que sequer existiam poucos anos atrás é assustador. O medo geral deixou de ser
os monstros marinhos que assombravam os mares do século XVI para se tornar o
apocalipse conhecido como “cadê meu celular?”. Em contrapartida, os objetos, ricos em
tecnologia, tornam-se cada vez mais autônomos. Uma revolução desses seres
evoluídos sobre nós, seres acomodados, parece algo plausível, o que é bizarro.
Por fim, vale ressaltar que a abordagem sobre cultura e a intenção dos rebeldes
de a extinguirem foi triste. Até então estavam conquistando minha simpatia.
PS: Créditos aos meus camaradas-colegas por grande parte das ideias aqui
expostas. Não lembro o nome de vocês, então agradeço a todos os Lucas e
Letícias.
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